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Uma análise a nível de lembrete

agosto 15, 2011

Nasci nos oitenta e cresci nos noventa e minhas referências da década brega são os programas que são relançados ou disponíveis na internet, e sempre que assisto, penso “nossa, como eram moderninhos os findis de oitenta e o inicio dos noventa!”

Ney Matogrosso comenta isso (e veio daí esta reflexão que faço agora), que na década de 70 (essadécada não tenho tanta referência) havia muito mais liberdade (por incrível que pareça, mas ele justifica essa idéia) para ser o que se queria ser, do que hoje. E eu percebo isso pelos programas, novelas e músicas oitentistas.

Falando sobre o contexto dessas décadas, que era ditadura e o anseio por democracia, e depois a construção dessa democracia pela constituinte e tal… Esse anseio geral de liberdade (não sei se era realmente geral, ou de classe, mas enfim) criava um ambiente de tolerância entre as pessoas em contraponto ao Estado. Mas e ai? O que aconteceu?

Ai, logo que se pode eleger alguém, elegeu-se um presidente de um “Partido da Juventude conservador (oi?)” que propagava a “modernidade do Estado”. Não deu certo, e ai?

Hoje temos vulgaridades, não mais sensualidade, e temos um preconceito que transformou o temahomossexualidade em tabu maior do que era nos 80’s.  (entre outras comparações que podemos fazer).

Em 1988 criaram uma constituição que se dizia de um Estado laico (Laico, graças a Deus), e 23 anos depois temos que fazer marcha para um Estado Laico?

Vou por um post-it no meu espelho, para ver se um dia me respondo “Aonde foi que erramos?”

Ficção é ficção!

julho 5, 2011

Por muito tempo larguei o hábito de assistir novelas, e não foi por não gostar, mas ter que estar em casa num mesmo horário e perder (eu acho um desperdício de tempo) 1 hora sentada na frente de uma televisão SEIS (ou cinco) vezes por semana é não ter o que fazer, e ainda bem que tenho muitas coisas! A última novela que tinha assistido foi A Favorita (de João Emanuel Carneiro) e a trama foi fantástica, com a melhor cena de assassinato, em minha opinião, da Flora matando o Gonçalo, antes dessa, eu parei de assistir Duas Caras porque achava uma porcaria.

Esse ano, logo no começo do semestre, quando cheguei da aula minha mãe disse que começaria uma novela muito boa no SBT sobre o período da ditadura, primeiro achei estranho ela estar interessada, que dia sim e outro também ela vem com a frase “no tempo da ditadura que era bom”. Comecei a assistir, pois o horário coincide com o horário do meu jantar pós-aula, e assim não preciso ouvir minha mãe falando dos crimes que ela viu durante a tarde no Datena.

No começo de Amor e Revolução (de Tiago Santiago) eu gostei, mas me sentia um tanto quanto incomodada com as cenas de tortura, pois é ruim você ver atrocidades e saber que realmente existiram. Prefiro o conforto da ignorância de certos detalhes.

Após umas semanas soube que haveria uma personagem lésbica, o que muito me interessou, e depois que vi que seria a linda da Luciana Vendramini (personagem Marcela), pronto, já havia virado fã da novela.

Pronto, dado o primeiro beijo gay da televisão, duas mulheres lindas (mesmo se a Gisele Tigre – Marina – fosse feia, a Luciana Vendramini vale por duas mesmo), até lembrei do saudoso seriadinho The L Word, onde adorava acompanhar a história da Betty e da Tina.

E entre homenagens e comentários sobre o beijo lésbico, chega a notícia que teria mais dois casais gays, um de homens, e outro de meninas, além do padre que também é gay. Ótimo! Enfim, uma novela que aborda a censura como coisa ruim não pode ser… CENSURADA.

Eis que, em entrevista o autor diz que não poderá haver mais cenas de carinhos ou sensuais (apesar de toda enquete na mídia a maioria mostrar interesse em ver as “tais” cenas).

Os fãs que acompanham a novela e se “apaixonaram” pela história da Marcela e Marina se sentem “traídos” pelo autor, não só pela recusa em mostrar a cena de amor entre as duas, como também pelos outros personagens gays que provavelmente serão cortados, ou diminuídos.

Ai, vem o autor e lava suas mãozinhas, dizendo que ele escreveu as cenas, mas a decisão de cortar não veio dele.

Certo né? Ficção é ficção para quê retratar a realidade dos brasileir@s?

A partir de agora vou desmembrar duas importantes questões:

1º Quem assiste?

2º Quem paga a conta?

O primeiro ponto é quem assistiria uma novela sobre ditadura pela perspectiva da esquerda (que não me venha dizer que a novela não é “tendenciosa”, pois eu assisto, e sei do que estou falando)? Duvido que um conservador assistiria, e se assistir ele vai ficar mais “putinho” pelo Filinto caricato, do que “as sapatão” se pegando na redação do jornal.

O segundo ponto é sobre quem paga a novela. Os patrocinadores. Agora esses “patrocinadores” que não querem atrelar o nome de seus produtos a uma novela que tem personagem gays conhecem seus clientes? Ou conhece seus potenciais clientes?

Uma novela que atinge 5 pontos no IBOPE (não tenho idéia se isso é bom ou ruim, mas perto dos 40 de outras novelas,  é bem pouco) não deveria focar num mercado? Eu tenho até uma idéia, que tal no mercado… gay? Fica a sugestão!

Para terminar o blá blá blá de novela, deixo aqui a apresentação da Laura Bacellar (clique para assistir, vale muito a pena!) falando dos “Clientes invisíveis”  e a montagem feita pelos telespectadores de Amor e Revolução para que o casal Marina e Marcela não sofra censura, e seja apresentado igualmente como um casal heteroafetivo.

#MarcelaEMarinaSemCensura