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A musa

agosto 22, 2011

Aquela coisa de ver alguém, assim de longe, e se sentir totalmente seduzida. Tão bonito, tão romântico, tão irreal não é? Porque você vê o ser em determinado lugar, quem sabe é só uma questão de ângulo ou luz, e acha que a pessoa é sua alma gêmea. Você sai atordoada querendo saber quem é, o que faz, se namora, se estuda, se trabalha, enfim, quer saber tudo quanto pode para ter certeza que é um caso do acaso, que o universo conspirou em seu favor para encontrar tão bela criatura, que desde o nascimento estava esperando você.

Até ai, daria uma bela história real, que poderia dar certo, ou somente uma musa para inspirar uma vida vazia, ou a mediocridade do dia-a-dia. Só ponto positivo não é mesmo? Como Lulu Santos já cantava né “Como uma idéia que existe na cabeça e não tem a menor obrigação de acontecer”.

Mas ai entra a loucura nossa de cada dia… Você não chega em casa lembrando do brilho do olhar da musa, nem de como eram lindos seus cabelos, a primeira coisa que vem a cabeça é “Será que tem Facebook?”, “Será  que tem Twitter?”, “Bom, LinkedIn deve ter!” ou “Será que uso Blogger ou WordPress?”, enfim, análise de avatar por um lado, consulta nos amigos dos amigos do outro… e voilà, você tem o mínimo de informações necessárias para ser comparado a um psicótico.

Você não tenta ir ao mesmo lugar no mesmo dia da semana no mesmo horário que encontrou a musa, você sabe todos os compromissos que ela confirmou no Facebook.  Quando você a encontra não olha com olhar surpreso pelo reencontro e pergunta “qual seu nome” porque a única coisa que você não sabe é o número do CPF dela. Você não pergunta se ela quer tomar um café, pois sabe que ela está numa dieta que não tem cafeína porque ela sempre reclama isso no Twitter. Você não pergunta se namora, porque em um post de dois meses atrás ela descreve a tristeza de um fim de relacionamento…

E muitas vezes, no reencontro ao acaso, você não pergunta nada, porque sabe que ela tira fotos fazendo Hang Loose ou de língua pra fora fazendo chifrinhos nos amigos, ri com “KKKKKK”, é fã de “qualquer coisa” universitário.

Uma análise a nível de lembrete

agosto 15, 2011

Nasci nos oitenta e cresci nos noventa e minhas referências da década brega são os programas que são relançados ou disponíveis na internet, e sempre que assisto, penso “nossa, como eram moderninhos os findis de oitenta e o inicio dos noventa!”

Ney Matogrosso comenta isso (e veio daí esta reflexão que faço agora), que na década de 70 (essadécada não tenho tanta referência) havia muito mais liberdade (por incrível que pareça, mas ele justifica essa idéia) para ser o que se queria ser, do que hoje. E eu percebo isso pelos programas, novelas e músicas oitentistas.

Falando sobre o contexto dessas décadas, que era ditadura e o anseio por democracia, e depois a construção dessa democracia pela constituinte e tal… Esse anseio geral de liberdade (não sei se era realmente geral, ou de classe, mas enfim) criava um ambiente de tolerância entre as pessoas em contraponto ao Estado. Mas e ai? O que aconteceu?

Ai, logo que se pode eleger alguém, elegeu-se um presidente de um “Partido da Juventude conservador (oi?)” que propagava a “modernidade do Estado”. Não deu certo, e ai?

Hoje temos vulgaridades, não mais sensualidade, e temos um preconceito que transformou o temahomossexualidade em tabu maior do que era nos 80’s.  (entre outras comparações que podemos fazer).

Em 1988 criaram uma constituição que se dizia de um Estado laico (Laico, graças a Deus), e 23 anos depois temos que fazer marcha para um Estado Laico?

Vou por um post-it no meu espelho, para ver se um dia me respondo “Aonde foi que erramos?”

Preciso tanto me fazer feliz

agosto 3, 2011

Tenho uma teoria para explicar todos os relacionamentos falidos que tive, e incrivelmente é a mesma para os que deram certo.

Parto do seguinte ponto: todas as pessoas, sem exceções, são egoístas, e as pessoas altruístas são extremamente egoístas. Pois não existe ninguém que faça qualquer coisa espontaneamente para o bem de outrem, sem ter como finalidade, explicita ou implícita, realização de seus próprios desejos.  O egoísta explicito diz que faz algo porque é para o seu bem, o egoísta implícito diz que faz o bem porque ELE (o egoísta) gosta de fazer o bem (porque se não gostasse não faria, e seria o egoísta explicito).

Claro, que avaliamos as pessoas por nossa noção de valor, o quê, afirmando que todos são egoístas, eu seria uma grande egoísta assumida, sim sou, mas tenho atitudes de egoísmo implícito, pois faço o bem “sem olhar quem” porque acho importante, sendo assim, cumpro mais um interesse pessoal meu.

Certo, se relacionamentos falidos ou duradouros tem uma mesma razão, está razão é esse egoísmo.

Relacionamentos são construídos por nós indivíduos, claro. Esperamos muito de algumas pessoas por queremos dar muito também, e de outras não esperamos nada e somos surpreendidos por um pouco que já é mais do que o esperado.

O bater das asas das borboletas que sentimos no estomago, perto de alguém que queremos ficar, faz nascer um roteiro na imaginação de tudo que poderíamos viver. Expectativa não é? Pois é, nós queremos fazer a pessoa feliz, porque podemos, e sabemos que faremos, mas na verdade queremos que a pessoa busque seu roteiro (criado da nossa expectativa) e cumpra seu papel nesse teatro real, egoísmo né? Isso é falido. Por isso meus relacionamentos faliram.

Agora, quando você não espera nem um sorriso, nem um carinho, nada! Você vê a pessoa convive e não cria nenhuma história hipotética com roteiros adaptados para cada situação, isso junto com a outra pessoa que também não quer que você faça parte de nada, faz aflorar o melhor dos relacionamentos. Cada um é o que é, e se não gosta, joga na cara, porque enfim, quem quer conviver com o que não gosta? Somos egoístas enfim!

Assim, esse “eu quero fazer você feliz” não é nada mais de “me deixa eu te usar para ser feliz”, e o “eu não estou nem ai para você” é um “não tenho planos para você, então fica ai, sendo você mesmo, que eu prefiro, e sei que você também”.

E já diria o Rei né “Preciso tanto me fazer feliz”