Archive for julho \25\UTC 2011

Saber? O quê?

julho 25, 2011

Ontem aconteceu um caso interessante. Saí com um amigo para tomarmos uma cervejinha de fim de domingo. Este amigo é um rapaz muito inteligente e não é sempre que consigo acompanhar seu raciocínio. Muito vem de leituras, que na maioria das vezes eu não conheço, mas ele diferente de gente que conheci que só lia “orelha do livro” e saia vomitando “conhecimento”, ele realmente sabe o que fala.

Conversa vai conversa vem, fui comentar sobre o atentado da Noruega, para saber sua opinião sobre o assassino “pensar” ser de uma ordem templária, mas ele não sabia o que tinha acontecido, não ouvira ninguém falar sobre isso até então. A partir disso, comecei a “atualizá-lo” com todas as notícias que eu lembrava ter lido nos últimos dias, e que via alguma relevância, e a cada “nota” conversávamos sobre o ocorrido, com nossas opiniões. Eis que pergunto, a certa altura, “Você sabe que a Amy morreu?” e ele me respondeu “Sério? Ou você está me zoando? Nossa! Preciso baixar os discos dela então!”. Foi então que me questionei: qual a relevância de saber o que acontece “pelo mundo” com tanta rapidez e detalhes?

Cheguei a conclusão: informação, hoje, é meu caos!

O acesso irracional a informação anda me incomodando. E veja, eu leio “uma parte” dos assuntos que me interessam, que não são sobre todas as coisas, e mesmo assim é incrível como sinto uma perturbação por cada reportagem/texto que leio.

Os blogs que acompanho sobre temáticas Lgbtt, feminismo, anarquia, política local ou ateísmo só mostram atrocidades (a vida real de muita gente). E o que eu faço? Nada né! Fico brava, vou até a cozinha e pego um refrigerante geladinho para tomar, esperar a “indignação” passar, ir no twitter fazer uma piadinha e mostrar o quanto “por dentro” do mundo estou.

Ok, o que eu quero dizer na verdade, é que, informação é necessária, e principalmente deveria propiciar alguma revolução, alguma mudança, pois se não, torna-se somente um passa tempo, mas um passa tempo bobo que faz você ficar irritado, para depois des-ficar. Ou seria uma nova forma de entretenimento? Como as grandes tragédias hoje são passadas, é entretenimento. Seria a informação uma nova droga? Ela “dá um barato” de coração acelerar de raiva, perda de sono, até euforia, depois passa. Então procuramos novos conteúdos.

Mas enfim, o problema não é a informação, o problema é o que fazer com ela. Eu não faço nada. Mas precisaria fazer?

Ou você tem atitude e faz, ou escreve um post como este!

Ficção é ficção!

julho 5, 2011

Por muito tempo larguei o hábito de assistir novelas, e não foi por não gostar, mas ter que estar em casa num mesmo horário e perder (eu acho um desperdício de tempo) 1 hora sentada na frente de uma televisão SEIS (ou cinco) vezes por semana é não ter o que fazer, e ainda bem que tenho muitas coisas! A última novela que tinha assistido foi A Favorita (de João Emanuel Carneiro) e a trama foi fantástica, com a melhor cena de assassinato, em minha opinião, da Flora matando o Gonçalo, antes dessa, eu parei de assistir Duas Caras porque achava uma porcaria.

Esse ano, logo no começo do semestre, quando cheguei da aula minha mãe disse que começaria uma novela muito boa no SBT sobre o período da ditadura, primeiro achei estranho ela estar interessada, que dia sim e outro também ela vem com a frase “no tempo da ditadura que era bom”. Comecei a assistir, pois o horário coincide com o horário do meu jantar pós-aula, e assim não preciso ouvir minha mãe falando dos crimes que ela viu durante a tarde no Datena.

No começo de Amor e Revolução (de Tiago Santiago) eu gostei, mas me sentia um tanto quanto incomodada com as cenas de tortura, pois é ruim você ver atrocidades e saber que realmente existiram. Prefiro o conforto da ignorância de certos detalhes.

Após umas semanas soube que haveria uma personagem lésbica, o que muito me interessou, e depois que vi que seria a linda da Luciana Vendramini (personagem Marcela), pronto, já havia virado fã da novela.

Pronto, dado o primeiro beijo gay da televisão, duas mulheres lindas (mesmo se a Gisele Tigre – Marina – fosse feia, a Luciana Vendramini vale por duas mesmo), até lembrei do saudoso seriadinho The L Word, onde adorava acompanhar a história da Betty e da Tina.

E entre homenagens e comentários sobre o beijo lésbico, chega a notícia que teria mais dois casais gays, um de homens, e outro de meninas, além do padre que também é gay. Ótimo! Enfim, uma novela que aborda a censura como coisa ruim não pode ser… CENSURADA.

Eis que, em entrevista o autor diz que não poderá haver mais cenas de carinhos ou sensuais (apesar de toda enquete na mídia a maioria mostrar interesse em ver as “tais” cenas).

Os fãs que acompanham a novela e se “apaixonaram” pela história da Marcela e Marina se sentem “traídos” pelo autor, não só pela recusa em mostrar a cena de amor entre as duas, como também pelos outros personagens gays que provavelmente serão cortados, ou diminuídos.

Ai, vem o autor e lava suas mãozinhas, dizendo que ele escreveu as cenas, mas a decisão de cortar não veio dele.

Certo né? Ficção é ficção para quê retratar a realidade dos brasileir@s?

A partir de agora vou desmembrar duas importantes questões:

1º Quem assiste?

2º Quem paga a conta?

O primeiro ponto é quem assistiria uma novela sobre ditadura pela perspectiva da esquerda (que não me venha dizer que a novela não é “tendenciosa”, pois eu assisto, e sei do que estou falando)? Duvido que um conservador assistiria, e se assistir ele vai ficar mais “putinho” pelo Filinto caricato, do que “as sapatão” se pegando na redação do jornal.

O segundo ponto é sobre quem paga a novela. Os patrocinadores. Agora esses “patrocinadores” que não querem atrelar o nome de seus produtos a uma novela que tem personagem gays conhecem seus clientes? Ou conhece seus potenciais clientes?

Uma novela que atinge 5 pontos no IBOPE (não tenho idéia se isso é bom ou ruim, mas perto dos 40 de outras novelas,  é bem pouco) não deveria focar num mercado? Eu tenho até uma idéia, que tal no mercado… gay? Fica a sugestão!

Para terminar o blá blá blá de novela, deixo aqui a apresentação da Laura Bacellar (clique para assistir, vale muito a pena!) falando dos “Clientes invisíveis”  e a montagem feita pelos telespectadores de Amor e Revolução para que o casal Marina e Marcela não sofra censura, e seja apresentado igualmente como um casal heteroafetivo.

#MarcelaEMarinaSemCensura

Cadê o livre arbítrio?

julho 3, 2011

Se Deus nos deu o livre arbítrio, por que seus seguidores não nos deixam escolher?

Não conheço muito sobre essa história do livre arbítrio, só seu significado mesmo, e sempre ouvi falar que Deus, em sua enorme SABEDORIA, nos deu essa “possibilidade” para escolhermos nosso “caminho”. Na verdade sempre achei que o livre arbítrio foi um subterfúgio criado para justificar porque algumas sociedades têm outro deus não o cristão.

O que mais me intriga nessa história é o seguinte: um grupo que, visivelmente, somente quer dinheiro e poder (não consigo acreditar que os pastores de uma Mundial, Universal e Renascer acreditem nos seus cultos de “descarrego”), utiliza do nome de um Deus de Amor, para pregar o preconceito e lutar contra uma opção dada pelo mesmo Deus que é o livre arbítrio…

Sempre que vejo uma reportagem/vídeo, ou qualquer outra coisa, do pessoal que usa a religião cristã/evangélica para ofender pessoas que não tem a mesma opinião nos “caminhos da vida” (usando o tal do livre arbítrio), me vem aquela pergunta: que ano é hoje? Isso é tão idade média…

Agora, o que realmente eu me questiono é, como o Estado (sim o Estado), deixou que uma geração ignorantes se tornasse uma “massa de manobra” para facilitar esse joguinho de poder? Porque o que eu vejo não e uma bancada religiosa pensando em desenvolvimento econômico de alguma região, ou educação, ou saúde… Eu vejo são igrejas mercenárias que buscam na fé dos outros riqueza para suprir seus luxos e vaidades, e que agora vêem na política um campo para legitimar sua indústria da salvação, assim como os latifundiários lutam por leis anti-ambientalistas.

O que eles têm medo não é da criminalização da homofobia, ou liberação do aborto, ou equiparação do casal homoafetivo com os heteroafetivos, eles têm medo que seu rebanho comece a questionar seus ensinamentos, porque como uma coisa para Deus é proibida com castigos como conseqüência, e o Estado aprova? E uma dúvida leva a outra, até chegar no dízimo, e ai… foi-se o melhor negócio do momento!

Aqui sua fé vale muito!

Se alguém quer a salvação, tem gente que não quer… E o seu Deus nos deu essa opção.